segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sinto-me Só


Sinto-me só,

Um doído buraco profundo,

Uma sensação de vazio.

Uma falta de sons, ruídos,

Completa vontade de voltar o tempo.

Não pude ser mais poderosa,

Não pude fazer algo,

Não fui suficientemente persistente

Não estava do lado, na hora H.

ser mais um pouco,

O que fui para tantos e tantos.

Não deu,

Não foi,

Se foi,

Ela não volta,

Não adianta tentar escutá-la,

Espiá-la.

Meu bebê se foi.

Minha bonequinha,

Não pude salvar.

Senti-me Tão impotente,

Acho que viria a conseguir conter

Aquela dor,

Aquela pungência sangrando,

Aquele tumor.

Eu, com meu amor conseguiria,

Mas ainda não foi o suficiente.

Eu tanto quis conter,

Antes de todos e mais que qualquer um.

Tem tempo que quis, levá-la no colo,

Não deu tempo de fazer.

Eu deveria já ter que gritar,

Bater pé,

Mostrar que precisava cuidar mais.

Ah! Se eu pudesse mais...

Ah! Se eu tivesse mais...

O que sentia não bastou,

Não conteve,

Não curou,

Não sobreviveu...

Só matou.

Cris Passinato

Nenhum comentário:

Postar um comentário