segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pensamento

"Presta atenção em teus pensamentos, pois eles se tornarão palavras. Presta atenção em tuas palavras, pois elas se tornarão atos. Presta atenção em teus atos, pois eles se tornarão hábitos. Presta atenção em teus hábitos, pois eles se tornarão o teu caráter. Presta atenção em teu caráter, pois ele é o teu destino".



Talmud

domingo, 3 de julho de 2011

Jelous Guy - John Lennon

Um lugar...


"Foges em companhia de ti próprio: é de alma que precisas de mudar, não de clima."

Saudade

"A saudade pelos vivos é dor suave."
Autor - Castelo Branco , Camilo

"A saudade é a memória do coração."
 Autor - Neto , Coelho

"Saudade é ser, depois de ter."
Fonte - Ave, Palavra Autor - Rosa , Guimarães

A saudade não está na distância das coisas, mas numa súbita fractura de nós, num quebrar de alma em que todas as coisas se afundam."
Fonte - Conta-Corrente 3 Autor - Ferreira , Vergílio

"Saudade é amar um passado que ainda não passou. É recusar o presente que nos magoa. É não ver o futuro que nos convida..."
Autor - Neruda , Pablo

Citações

"A alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas."
Autor - Cheney , John

"As melhores e mais bonitas coisas neste mundo não podem ser vistas nem ouvidas, mas precisam de ser sentidas com o coração."
Autor - Keller , Helen

"Há sensações que são sonos, que ocupam como uma névoa toda a extensão do espírito, que não deixam pensar, que não deixam agir, que não deixam claramente ser."
Fonte - Livro do Desassossego Autor - Pessoa , Fernando

Poodle

"Serei um cão, um macaco ou um urso, /
Tudo menos aquele animal vaidoso /
 Que se vangloria tanto de ser racional."

Fonte - A Satire Against Mankind Autor - Wilmot , John

O que Diz a Morte

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;


Deixai-os vir a mim, os que padecem;

E os que cheios de mágoa e tédio encaram

As próprias obras vãs, de que escarnecem...



Em mim, os Sofrimentos que não saram,

Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.

As torrentes da Dor, que nunca param,

Como num mar, em mim desaparecem. -



Assim a Morte diz. Verbo velado,

Silencioso intérprete sagrado

Das cousas invisíveis, muda e fria,



É, na sua mudez, mais retumbante

Que o clamoroso mar; mais rutilante,

Na sua noite, do que a luz do dia.



Antero de Quental, in "Sonetos"

Vida Sempre

Entre a vida e a morte há apenas


o simples fenómeno

de uma subtil transformação. A morte

não é morte da vida.

A morte não é inação, inutilidade.

A morte é apenas a face obscura,

mínima, em gestação

de uma viagem que não cessa de ser. Aventura

prolongada

desde o porão do tempo. Projectando-se

nas naves inconcebíveis do futuro.



A morte não é morte da vida: apenas

novas formas de vida. Nova

utilidade. Outro papel a desempenhar

no palco velocíssimo do mundo. Novo ser-se (comércio

do pó) e não se pertencer.

Nova claridade, respiração, naufrágio

na maquina incomparável do universo.



Casimiro de Brito, in "Solidão Imperfeita"

Não Choreis os Mortos

Não choreis nunca os mortos esquecidos

Na funda escuridão das sepulturas.

Deixai crescer, à solta, as ervas duras

Sobre os seus corpos vãos adormecidos.



E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,

Agonizar... guardai, longe, as doçuras

Das vossas orações, calmas e puras,

Para os que vivem, nudos e vencidos.



Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,

Da multidão sem fim dos que são vivos,

Dos tristes que não podem esquecer.



E, ao meditar, então, na paz da Morte,

Vereis, talvez, como é suave a sorte

Daqueles que deixaram de sofrer.



Pedro Homem de Mello, in "Caravela ao Mar"

Fui Pedir um Sonho ao Jardim dos Mortos

Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos.


Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não.

Os mortos não sabem, lá onde é que estão,

Que neles se enfeitam os meus braços tortos.



Os mortos dormiam... Passei-lhes ao lado.

Arranquei-lhes tudo, tudo quanto pude;

Páginas intactas — um livro fechado

Em cada ataúde.



Ai as pedras raras! As pedras preciosas!

Relâmpagos verdes por baixo do mar!

A sombra, o perfume dos cravos, das rosas

Que os dedos, já hirtos, teimavam guardar!



Minha alma é um cadáver pálido, desfeito.

As suas ossadas

Quem sabe onde estão?

Trago as mãos cruzadas,

Pesam-me no peito.

Quem sabe se a lama onde hoje me deito

Dará flor aos vivos que dizem que não?



Pedro Homem de Mello, in "Príncipe Perfeito"

Horário do Fim

morre-se nada

quando chega a vez



é só um solavanco

na estrada por onde já não vamos



morre-se tudo

quando não é o justo momento



e não é nunca

esse momento



Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

Canção Póstuma

Fiz uma canção para dar-te;

porém tu já estavas morrendo.

A Morte é um poderoso vento.

E é um suspiro tão tímido, a Arte...



É um suspiro tímido e breve

como o da respiração diária.

Choro de pomba. E a Morte é uma águia

cujo grito ninguém descreve.



Vim cantar-te a canção do mundo,

mas estás de ouvidos fechados

para os meus lábios inexatos,

— atento a um canto mais profundo.



E estou como alguém que chegasse

ao centro do mar, comparando

aquele universo de pranto

com a lágrima da sua face.



E agora fecho grandes portas

sobre a canção que chegou tarde.

E sofro sem saber de que Arte

se ocupam as pessoas mortas.



Por isso é tão desesperada

a pequena, humana cantiga.

Talvez dure mais do que a vida.

Mas à Morte não diz mais nada.



Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'

Poética

De manhã escureço

De dia tardo

De tarde anoiteço

De noite ardo.



A oeste a morte

Contra quem vivo

Do sul cativo

O este é meu norte.



Outros que contem

Passo por passo:

Eu morro ontem



Nasço amanhã

Ando onde há espaço:

– Meu tempo é quando.



Vinícius de Moraes
Mensagem de carinho

Poema