domingo, 3 de julho de 2011

Vida Sempre

Entre a vida e a morte há apenas


o simples fenómeno

de uma subtil transformação. A morte

não é morte da vida.

A morte não é inação, inutilidade.

A morte é apenas a face obscura,

mínima, em gestação

de uma viagem que não cessa de ser. Aventura

prolongada

desde o porão do tempo. Projectando-se

nas naves inconcebíveis do futuro.



A morte não é morte da vida: apenas

novas formas de vida. Nova

utilidade. Outro papel a desempenhar

no palco velocíssimo do mundo. Novo ser-se (comércio

do pó) e não se pertencer.

Nova claridade, respiração, naufrágio

na maquina incomparável do universo.



Casimiro de Brito, in "Solidão Imperfeita"

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