terça-feira, 7 de junho de 2011

Soneto 54

Oh, como a beleza parece mais bela

com o doce ornamento que a verdade produz!

A rosa tão bela, mas mais bela a julgamos

Pelo doce aroma que nela seduz.


As rosas silvestres têem a cor tão profunda

Quanto a tintura das rosas perfumadas,

Têem os mesmos espinhos e brincam tão vivamente

Quando o sopro do verão expõe os botões velados;


Mas exibem-se apenas para si mesmas,

Vivem esquecidas e murcham obscuras;

Morrem sozinhas. As doces rosas, não;


De suas doces mortes surgem as mais doces essências.

e assim também a ti, a bela e adorável mocidade,

Fenecido o frescor, revela em versos tua verdade.

William Shakespeare

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