sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Quando Voltei Encontrei os Meus Passos



Quando voltei encontrei os meus passos

Ainda frescos sobre a úmida areia.

A fugitiva hora, reevoquei-a,

_ Tão rediviva! nos meus olhos baços...

Olhos turvos de lágrimas contidas.

_ Mesquinhos passos, porque doidejastes

Assim transviados, e depois tornastes



Ao ponto das primeiras despedidas?

Onde fostes sem tino, ao vento vário,

Em redor, como as aves num aviário,

Até que a asita fofa lhes faleça...

Toda essa extensa pista _ para quê?

Se há de vir apagar-vos a maré,

Com as do novo rasto que começa...



Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'

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