sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Transcendentalismo

(A J. P. Oliveira Martins)



Já sossega, depois de tanta luta,

Já me descansa em paz o coração.

Caí na conta, enfim, de quanto é vão

O bem que ao Mundo e à Sorte se disputa.



Penetrando, com fronte não enxuta,

No sacrário do templo da Ilusão,

Só encontrei, com dor e confusão,

Trevas e pó, uma matéria bruta...



Não é no vasto mundo — por imenso

Que ele pareça à nossa mocidade —

Que a alma sacia o seu desejo intenso...



Na esfera do invisível, do intangível,

Sobre desertos, vácuo, soledade,

Vôa e paira o espírito impassível!



Antero de Quental, in "Sonetos"

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