terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Cidade do Sonho

A Cidade do Sonho Sofres e choras? Vem comigo! Vou mostrar-te

O caminho que leva à Cidade do Sonho...

De tão alta que está, vê-se de toda a parte,

Mas o íngreme trajecto é florido e risonho.

 
Vai por entre rosais, sinuoso e macio,

Como o caminho chão duma aldeia ao luar,

Todo branco a luzir numa noite de Estio,

Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.


Se o teu ânimo sofre amarguras na vida,

Deves empreender essa jornada louca;

O Sonho é para nós a Terra Prometida:

Em beijos o maná chove na nossa boca...


Vistos dessa eminência, o mundo e as suas

[sombras,

Tingem-se no esplendor dum perpétuo arrebol;

O mais estéril chão tapeta-se de alfombras,

Não há nuvens no céu, nunca se põe o Sol.


Nela mora encantada a Ventura perfeita

Que no mundo jamais nos é dado sentir...

E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita,

A própria Dor começa a cantar e a sorrir!


Que importa o despertar? Esse instante divino

Como recordação indelével persiste;

E neste amargo exílio, através do destino,

Ventura sem pesar só na memória existe...


António Feijó, in 'Sol de Inverno'



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